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Um pouco sobre a fenomenologia como abordagem terapeutica

Antes de te explicar, eu quero te escutar

7 de jul. de 2026

Thiago Pires de Azevedo

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Psicoeducação

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A maioria das pessoas chega ao consultório já com a resposta na ponta da língua. "Eu acho que tenho ansiedade." "Deve ser química, né?" "Li que isso é trauma de infância." Chegam com o diagnóstico antes da história. E eu entendo o impulso. Dar nome ao que dói acalma. Um nome organiza o caos, transforma uma confusão sem forma em algo que parece ter contorno, causa, tratamento.

Mas tem uma coisa que aprendi observando isso acontecer centenas de vezes. O nome alivia e, ao mesmo tempo, fecha. No instante em que você diz "isso é só ansiedade", você para de olhar. A palavra vira uma tampa.

Pensa num mapa. Um mapa do Rio é útil, você não chegaria a lugar nenhum sem ele. Mas ninguém nunca atravessou a cidade andando em cima de um mapa. O mapa não é o território. O diagnóstico é um mapa. Ele te ajuda a se orientar, a conversar com outros profissionais, a saber que você não está sozinho nem inventando. Só que você, a pessoa que sente, não é o mapa. Você é o território. E território a gente atravessa caminhando, sentindo o chão, não apontando o dedo de longe.

A fenomenologia, que é a base de como eu trabalho, é basicamente isso: a disciplina de voltar à experiência antes de explicá-la. Em vez de perguntar "qual é o transtorno?", ela pergunta "como é, por dentro, viver isso?". Antes da teoria, o vivido. Antes da categoria, a sua manhã específica, o seu corpo específico acordando com aquele peso específico que nenhum manual descreve direito.

É por isso que eu digo que faço psicologia, mas não psicologizo. Psicologizar é o reflexo de pegar qualquer dor humana e traduzir na hora para uma fórmula: "isso é mecanismo de defesa", "isso é distorção cognitiva", "isso é sua mãe". Às vezes essas leituras ajudam. Mas quando viram automático, elas roubam de você a única coisa que era de fato sua: a sua experiência, ainda não traduzida, ainda viva.

Eu não quero te entregar uma explicação rápida que te faça sair do consultório com um rótulo novo e o mesmo vazio de antes. Quero ficar com você dentro do que você sente, o tempo que for preciso, até que aquilo comece a fazer sentido de dentro para fora. Não o sentido que eu imponho. O sentido que já estava lá, esperando alguém ter paciência de escutar.

Identidade, autenticidade, sentido. É em torno disso que tudo gira. Quem é você quando para de se traduzir para os outros. O que é seu de verdade por baixo do que aprenderam a esperar de você. E o que, afinal, faz sentido para essa vida específica, a sua, e não para a vida genérica dos livros.

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