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Violência contra a mulher: como agir?

22 de ago. de 2025

Terappia

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Mulher

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    • A violência contra a mulher no Brasil é uma realidade grave, incluindo feminicídios e violência doméstica, muitas vezes silenciosa e estrutural.

    • Relacionamentos abusivos seguem um ciclo de tensão, agressão e manipulação, afetando física e psicologicamente as vítimas, com sinais de abuso psicológico e emocional.

    • A violência também ocorre em casais homoafetivos, sendo muitas vezes invisibilizada; políticas públicas e campanhas educativas são essenciais para enfrentá-la.

    • A psicoterapia e o apoio de familiares são fundamentais para reconstrução emocional, autonomia e combate às consequências psicológicas da violência.
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Agosto é dedicado ao debate do tema do enfrentamento da violência contra a mulher e neste texto, trouxemos informações sobre os contextos socioculturais da mulher, sobre a violência em relacionamentos abusivos (homo ou heteroafetivos), as consequências psicológicas disso e como agir diante desta situação.

 

Como é ser mulher no Brasil hoje?

Ser mulher no Brasil é viver em constante alerta. Em 2023, o Brasil registrou 1.463 feminicídios, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2024). Isso significa que uma mulher é assassinada a cada seis horas apenas por ser mulher.

 

Além disso, 245.713 mulheres foram vítimas de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, número que demonstra a magnitude do problema. Os dados escancaram uma dura realidade: para muitas mulheres, o lugar mais perigoso continua sendo o próprio lar.

 

A violência de gênero no Brasil tem raízes profundas, estruturais e culturais. Em muitos casos, ela se manifesta de forma silenciosa, começando com pequenas agressões verbais, manipulações emocionais e o isolamento da vítima, até evoluir para formas graves de violência física e, em casos extremos, o feminicídio.

 

Como a violência contra a mulher acontece dentro de um relacionamento?

Muitos relacionamentos abusivos não começam com violência física. A agressão surge aos poucos, como parte de um ciclo de violência, que costuma seguir etapas bem definidas:

  1. Fase da tensão: O agressor começa a demonstrar ciúmes excessivos, controlar rotinas, desvalorizar opiniões e usar xingamentos disfarçados de “brincadeiras”.
  2. Fase da agressão: A tensão explode em violência verbal, psicológica, sexual, patrimonial e/ou física.
  3. Fase da lua de mel: O agressor pede desculpas, chora, promete mudar, oferece presentes e manipula a vítima emocionalmente. A mulher, fragilizada, acredita na mudança e o ciclo recomeça.

Esse ciclo foi identificado em diversos estudos sobre violência doméstica e é frequentemente observado no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Justiça (2023), 76% das mulheres vítimas de feminicídio foram mortas por seus parceiros ou ex-parceiros.

 

Um caso chocante que gerou repercussão em 2024 envolveu uma mulher agredida dentro de um elevador, levando mais de 60 socos. Ela relatou que o companheiro havia demonstrado sinais de agressividade anteriormente. Casos assim escancaram que a violência muitas vezes pode ser inesperada ou que o silêncio, o medo e a vergonha impedem que muitas mulheres peçam ajuda a tempo.

 

Quais são os sinais de um relacionamento abusivo?

Embora nem toda violência seja visível, há comportamentos que indicam a presença de abuso psicológico, emocional ou físico:

  • Gaslighting: distorção da realidade para fazer a mulher duvidar de sua própria memória ou sanidade ("você está louca", "isso nunca aconteceu").
  • Isolamento: afastamento de amigos, familiares e redes de apoio.
  • Controle financeiro: o agressor impede o acesso da mulher ao próprio dinheiro, dificultando sua autonomia.
  • Chantagens emocionais e ameaças veladas.
  • Violência sexual e coerção.
  • Críticas constantes à aparência, comportamento ou escolhas.
  • Espionagem, vigilância constante e controle de redes sociais.

A violência contra mulheres também acontece em casais homoafetivos?

Sim. A violência em relacionamentos entre mulheres existe, mas ainda é invisibilizada pela sociedade. Segundo dados da Rede LésBi Brasil (2023), 44% das mulheres lésbicas já sofreram algum tipo de violência no relacionamento.

Em muitos casos, há uma falsa ideia de que a violência só ocorre em relações heterossexuais. No entanto, o ciclo de abuso pode se repetir em qualquer configuração afetiva. Isso reforça a importância de políticas públicas, acolhimento psicológico e campanhas educativas que contemplem a diversidade.

 

Quais são os efeitos psicológicos da violência para a mulher?

As cicatrizes deixadas por uma relação abusiva vão além do físico. Muitas mulheres que sobreviveram relatam sentimentos de:

  • Baixa autoestima profunda.
  • Vergonha e culpa.
  • Medo constante e hipervigilância.
  • Isolamento social e dificuldade em confiar novamente.
  • Quadros de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

De acordo com o CEO da Terappia, Alex Baptista:

“A violência doméstica é, antes de tudo, uma destruição sistemática da identidade da mulher. Para dominar, o agressor precisa primeiro quebrar sua autoestima, sua autonomia e seu senso de valor.”

A psicoterapia é fundamental nesse processo de reconstrução. Muitas mulheres começam o acompanhamento psicológico ainda dentro da relação abusiva, mas relatam a dificuldade de fazê-lo em casa. Algumas realizam as sessões dentro do carro ou em horários estratégicos, como forma de ter um espaço seguro de escuta e acolhimento, mesmo em ambientes hostis.

 

O que a Lei Maria da Penha garante?

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica. Ela prevê medidas protetivas, como o afastamento do agressor, proibição de contato com a vítima e possibilidade de prisão preventiva.

 

Além disso, o Brasil conta com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e serviços como o Ligue 180, canal de denúncia gratuito e confidencial.

 

Apesar disso, a aplicação da lei ainda enfrenta desafios, como a subnotificação dos casos e o despreparo de algumas instituições para acolher adequadamente as vítimas. Segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, em 2023 foram mais de 83 mil denúncias de violência contra a mulher apenas pelo canal 180.

 

Como a psicoterapia pode ajudar mulheres em situação de violência?

A psicoterapia é uma ferramenta essencial para mulheres em situação de violência, pois:

  • Ajuda a reconstruir a autoestima e a autoconfiança.
  • Auxilia na elaboração dos traumas e experiências dolorosas.
  • Fortalece a autonomia emocional e financeira.
  • Constrói um espaço seguro para reflexão e tomada de decisões.

Na plataforma www.terappia.com.br, mulheres encontram psicólogas capacitadas para lidar com situações de violência doméstica e relacionamentos abusivos. O atendimento pode ser online, sigiloso e em valor acessível — inclusive o Terappia é uma plataforma com terapia online a valor social, algo fundamental para garantir o acesso em situações de vulnerabilidade.

 

Como familiares e amigos podem ajudar?

Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por medo, dependência emocional e isolamento. Por isso, o apoio de amigos e familiares pode ser decisivo. Algumas atitudes que fazem diferença:

  • Acolher sem julgar.
  • Oferecer escuta e apoio prático.
  • Sugerir acompanhamento psicológico.
  • Ajudar a buscar redes de apoio, como ONGs, delegacias especializadas ou terapeutas.

No www.terappia.com.br, é possível encontrar psicólogas especializadas que podem orientar também amigos e familiares sobre como agir diante de uma situação de violência.

 

Fontes utilizadas:

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