
Você não está atrasado, só está medindo sua vida com o relógio de outra pessoa.
A geração que cresceu conectada também cresceu se comparando… E o custo disso na saúde mental é real.
4 de abr. de 2026
Geziany Aparecida Oliveira
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Existe uma pressão silenciosa e quase universal sobre jovens adultos nos dias de hoje. Ela não vem de um lugar só, vem das redes sociais, da família, do mercado de trabalho, da cultura de produtividade, e às vezes do lugar mais difícil de enfrentar: de dentro da própria cabeça.
A mensagem que chega de todos os lados é mais ou menos a mesma. Você precisa saber o que quer fazer da vida, precisa ter um propósito claro, uma carreira em construção, uma trajetória que faça sentido (de preferência antes dos trinta). E se ainda não tem, algo está errado com você.
Mas quer saber a verdade? Não está.
O que está errado é a expectativa.
A atual geração de jovens adultos enfrenta um cenário que não tem muito precedente histórico. O mercado de trabalho mudou mais rápido do que qualquer geração anterior conseguiu acompanhar. Profissões que existiam há dez anos somem, novas surgem sem manual, e a ideia de uma carreira linear (entrar numa empresa, crescer e se aposentar) já não descreve a realidade da maioria.
Junto com isso veio a comparação em escala nunca vista antes. As redes sociais criaram um ambiente onde é possível observar, em tempo real, o que cada pessoa da sua geração está conquistando, ou pelo menos o que ela escolhe mostrar que está conquistando. A promoção de um colega, a empresa que outro abriu, a viagem que aquele conhecido fez, o apartamento que alguém comprou. O feed vira uma régua constante, e a régua está sempre um pouco acima de onde você está.
O problema da comparação não é só que ela é injusta, é que ela é incompleta. O que se vê é o resultado, nunca o processo. É a foto do escritório novo, não as noites de insônia que vieram antes. É o post comemorando uma conquista, não os meses de dúvida que a antecederam. Comparar a sua vida inteira com os recortes mais bonitos da vida dos outros é uma equação que sempre vai dar errado.
E o propósito carrega um peso que poucos questionam.
A ideia de que cada pessoa tem um chamado específico, único e urgente para descobrir coloca uma pressão enorme sobre quem ainda está tentando entender quem é. Propósito, para a maioria das pessoas, não é algo que se encontra. É algo que se constrói, ao longo do tempo, através de experiências, erros e revisões. Quem ainda não encontrou o seu não está atrasado. Está no processo.
Tudo isso junto cria um terreno fértil para ansiedade, sensação de inadequação e aquela exaustão específica de quem está sempre correndo sem saber muito bem para onde. Não é fraqueza, mas sim o resultado de uma pressão real, que merece ser reconhecida como tal.
Entender de onde vem essa pressão não a elimina, mas muda a relação com ela. E ter um espaço para processar tudo isso sem julgamento e pressa pode ser o que faz diferença entre atravessar essa fase no limite e atravessá-la com um pouco mais de chão sob os pés.
Geziany Oliveira
Psicóloga - CRP 16/12307
Instagram: @psigeziany
Meu perfil no Terappia: https://www.terappia.com.br/psi/geziany-aparecida-oliveira
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