
Você pode ser aplaudido a vida toda. E continuar com fome.
Sobre a busca incansável pelo olhar do Outro e por que ele nunca chega do lugar que você espera.
4 de ago. de 2026
Arthur Almeida Caram Andre
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Existe uma fome que não passa com conquista. Que não satura com elogio. Que não descansa quando o outro finalmente diz que você é bom, capaz, suficiente. Uma fome que, por mais que seja alimentada, volta — às vezes em minutos. Como se o que foi dado não fosse exatamente o que estava faltando.
Porque não era.
"Você não está buscando reconhecimento do outro. Está buscando, no outro, o reconhecimento que não consegue dar a si mesmo."
Lacan descreveu o desejo como fundamentalmente desejo do Outro — não o desejo pelo outro, mas o desejo de ser desejado, reconhecido, confirmado pelo olhar do Outro. O sujeito se constitui nesse olhar. É sendo visto que a criança aprende que existe. É sendo nomeada, respondida, reconhecida que ela descobre quem é.
O problema é quando esse olhar primário foi inconsistente, ausente, ou condicionado à performance. Quando o reconhecimento só vinha quando você era bom o suficiente. Quando tirava nota alta. Quando não incomodava. Quando era o que o outro precisava que você fosse.
Nesse caso, o sujeito aprende duas coisas ao mesmo tempo: que reconhecimento existe — e que ele precisa ser conquistado. Que não é dado. Que depende de fazer. De ser. De provar. E essa aprendizagem se instala tão fundo que, décadas depois, o sujeito continua procurando no mundo externo a confirmação que o mundo interno nunca consolidou.
"A criança que precisou merecer o olhar amoroso passa a vida adulta convencida de que ainda precisa merecer — de todo mundo, o tempo todo."
E aqui está o paradoxo que esgota: o reconhecimento externo nunca é suficiente porque o problema não é externo. Você pode acumular aprovações, elogios, conquistas, validações — e a fome continua. Porque ela não é sobre o que o outro pensa. É sobre o que você acredita, no fundo, que merece que o outro pense.
Se internamente a crença é "não sou suficiente", qualquer reconhecimento externo passa por esse filtro e é descartado — ou dura pouco. O elogio é recebido com desconfiança. A conquista é minimizada. O olhar amoroso é questionado. Porque o sistema interno precisa de coerência — e um reconhecimento que contradiz a crença central sobre si mesmo não é integrado. É neutralizado.
Neurologicamente, isso tem correlato preciso. A crença sobre o próprio valor é uma rede neural consolidada — formada cedo, reforçada repetidamente, de baixíssima resistência. Informações que a confirmam são processadas facilmente. Informações que a contradizem encontram resistência — esquecidas mais rápido, questionadas com mais intensidade, descartadas com mais facilidade.
"O reconhecimento que não cabe na sua crença sobre si mesmo não entra. Não porque o outro não deu — mas porque você não tinha onde guardar."
O caminho de saída não é buscar menos reconhecimento. É entender que o reconhecimento que você está buscando lá fora é uma forma deslocada de buscar algo que só pode ser construído por dentro. Não de uma vez. Não por força de vontade. Mas pelo processo lento e muitas vezes doloroso de questionar a crença que diz que você precisa provar para merecer.
Porque enquanto essa crença estiver ativa, o outro nunca vai poder dar o suficiente. Não por falta de querer — mas porque o suficiente que você precisa não está no que o outro tem para dar.
Está no que você ainda não aprendeu a receber de si mesmo.
O olhar que você procura no outro
é o olhar que faltou cedo demais — e que nenhum outro, desde então,
conseguiu substituir completamente.
Não porque as pessoas ao redor sejam insuficientes.
Mas porque esse olhar só tem um endereço possível agora —
e ele é interno.
Quem sou eu?

Julia da Costa Neves
CRP:

06/214193
Atendimento:
Online
Você merece se sentir bem consigo mesmo, compreender suas emoções e viver relações mais saudáveis.
E ás vezes, a ansiedade, as inseguranças e as dificuldades nos relacionamentos tornam a rotina mais pesada do que gostaríamos. Em meio a tantos sentimentos e cobranças, pode ser difícil entender o que está acontecendo e encontrar novas formas de lidar com tudo isso. Você não precisa enfrentar esse processo sozinho.
Sou Júlia Neves, psicóloga clínica, especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pós-graduanda em Neurociência e Comportamento.
Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta, acolhimento e desenvolvimento, no qual você possa falar sobre suas experiências sem julgamentos, compreender seus pensamentos e emoções e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do dia a dia.
Acredito que a terapia é um processo de autoconhecimento e transformação, que permite construir novas perspectivas, fortalecer sua autonomia e desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.
Dar o primeiro passo pode ser desafiador, mas você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser o início de uma nova forma de olhar para si e para a sua história.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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