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Cultivar uma amizade é escolher dia após dia permanecer.

20 de mai. de 2026

Emille Macedo Braga

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Autoconhecimento

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A vida adulta nos apresenta uma verdade que, quando mais jovens, talvez não imaginássemos: fazer amigos nessa fase pode ser difícil. A rotina nos engole, as responsabilidades se acumulam, e, sem perceber, os encontros que antes aconteciam com leveza passam a exigir esforço. Mas há uma beleza nisso: as amizades que cultivamos nesse período carregam uma profundidade diferente. Não acontecem por acaso, mas porque alguém decidiu ficar, e nós também escolhemos permanecer.

A vida adulta tem essa estranheza de nos fazer sentir sozinhos, mesmo rodeados de pessoas. Estamos em grupos, no trabalho, nos compromissos, mas nem sempre estamos com aqueles que verdadeiramente conhecem nossa história e nossos silêncios. É por isso que as amizades dessa fase se tornam ainda mais preciosas: porque nos lembram de quem somos para além das funções que ocupamos, porque são refúgio quando o mundo pesa.

Nas palestras que dei, falei sobre como, com o tempo, deixamos de lado a necessidade de ter muitos amigos e passamos a valorizar aqueles poucos com quem podemos ser inteiros, sem precisar medir palavras ou esconder cansaços. A amizade, quando real, não exige grandiosidade—ela se fortalece nos detalhes: um "como você está?" no meio do dia, uma conversa sem pressa, um abraço que nos sustenta nos dias difíceis, uma chamada de vídeo inesperada.

Mas, ainda assim, é fácil deixar passar. A gente adia mensagens, cancela encontros, se convence de que o outro entende nossa ausência. E talvez entenda mesmo. Mas amizade também precisa de cuidado, de presença, de espaço. Precisamos aprender a nos dedicar a ela da mesma forma com que cultivamos outros laços, porque são esses vínculos que nos sustentam quando a vida nos pede demais.

E não é sobre esperar o momento certo ou ter tempo sobrando—porque quase nunca temos. É sobre fazer caber. Marcar aquele café mesmo que dure pouco, mandar um áudio no meio do dia, lembrar de dizer "senti sua falta". Pequenos gestos que sustentam grandes relações.

Então, eu te pergunto: como você tem cuidado das suas amizades?

Emille Macedo Braga | Psicóloga | CRP 03/32442

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