
Da infância à vida profissional: como as expectativas de gênero podem afetar as mulheres
Você já deixou de expressar uma opinião, pedir reconhecimento ou estabelecer um limite no trabalho por medo de desagradar?
4 de nov. de 2026
Bianca Ribeiro Terra
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A vida profissional exige habilidades técnicas, capacidade de decisão e comunicação. Entretanto, as oportunidades de desenvolver essas habilidades não dependem apenas das competências individuais. As relações sociais, as condições de trabalho e as expectativas de gênero também participam dessa experiência.
Para algumas mulheres, a dificuldade de se posicionar pode estar relacionada ao medo de rejeição, à necessidade de aprovação ou a experiências anteriores de desvalorização. Para outras, o problema está principalmente em ambientes profissionais que reproduzem desigualdades.
Compreender essas diferenças é fundamental para não transformar problemas sociais em falhas individuais.
Quando a necessidade de agradar interfere no trabalho
Mulheres que sentem necessidade constante de demonstrar disponibilidade e compreensão podem encontrar dificuldades para recusar tarefas, negociar responsabilidades ou expressar discordância.
Em determinados casos, vale investigar se esses comportamentos estão relacionados a experiências anteriores nas quais manifestar necessidades próprias foi associado a críticas, culpa ou rejeição.
Isso não significa que toda dificuldade de estabelecer limites tenha origem na infância. As relações profissionais atuais, a cultura organizacional e as desigualdades de poder também influenciam o comportamento.
A psicoterapia pode ajudar a compreender o significado dessas experiências e a identificar possibilidades de posicionamento mais coerentes com as necessidades e os valores de cada pessoa.
Sobrecarga feminina: uma questão também social
Um dos desafios importantes da vida profissional das mulheres é a conciliação entre trabalho remunerado, responsabilidades domésticas e cuidado de outras pessoas.
Carneiro e colaboradores (2023), em estudo publicado na Revista de Saúde Pública, investigaram o trabalho doméstico não remunerado e sua relação com indicadores de saúde mental.
Os resultados apontaram desigualdades na distribuição das tarefas domésticas e associações entre conflitos envolvendo trabalho, família e tempo pessoal e indicadores de sofrimento mental.
Esses achados reforçam que a saúde mental das mulheres trabalhadoras não pode ser compreendida apenas a partir de suas características individuais.
Quando uma mulher se sente sobrecarregada, é importante investigar suas estratégias pessoais, mas também as condições concretas em que vive: existe divisão justa das responsabilidades? Há apoio? O ambiente profissional respeita seus limites?
Nem toda sobrecarga é resultado de uma dificuldade psicológica. Muitas vezes, ela também expressa uma distribuição desigual do trabalho e do cuidado.
O desafio de ocupar espaços de decisão
As mulheres podem enfrentar expectativas contraditórias no ambiente profissional: espera-se que sejam colaborativas, mas sua assertividade pode ser interpretada negativamente; espera-se que demonstrem competência, mas nem sempre suas contribuições recebem o mesmo reconhecimento.
Salvaro e Mariano (2021), em revisão da produção acadêmica brasileira publicada na revista Psicologia em Estudo, discutiram relações entre gênero, trabalho e saúde mental de trabalhadoras.
Essa perspectiva permite compreender que o sofrimento profissional precisa ser analisado em seu contexto. A insegurança individual pode coexistir com ambientes discriminatórios, sobrecarga e falta de reconhecimento.
Por isso, desenvolver autoconfiança é importante, mas não substitui a necessidade de enfrentar condições de trabalho injustas.
Como a psicoterapia pode ajudar?
Na psicoterapia, a mulher pode investigar como se relaciona com a própria história, quais conflitos se repetem e como determinadas experiências influenciam suas escolhas atuais.
Algumas questões podem orientar essa reflexão:
- Tenho dificuldade de reconhecer minhas competências?
- Sinto culpa quando recuso uma demanda?
- Evito discordar por medo das consequências?
- Estou assumindo responsabilidades que poderiam ser compartilhadas?
- Minhas dificuldades estão relacionadas à minha história, ao ambiente profissional ou a ambos?
Não existem respostas universais. A experiência de cada mulher precisa ser compreendida considerando sua trajetória, suas relações e suas condições de vida.
O objetivo não é encontrar um trauma para explicar todas as dificuldades, mas construir uma compreensão mais ampla dos fatores que produzem sofrimento e das possibilidades de mudança.
Você não precisa enfrentar tudo sozinha
Reconhecer padrões de comportamento pode abrir espaço para novas escolhas. Entretanto, o cuidado com a saúde mental não deve se transformar em mais uma cobrança para que a mulher consiga administrar sozinha todas as exigências que recaem sobre ela.
Algumas mudanças dependem de decisões pessoais e do desenvolvimento de recursos emocionais. Outras exigem apoio, divisão de responsabilidades e transformação das condições sociais e profissionais.
Cuidar da saúde mental também significa reconhecer os próprios limites, compreender as relações que produzem sofrimento e identificar aquilo que precisa ser transformado dentro e fora de nós.
Se a insegurança, a sobrecarga ou as dificuldades nas relações profissionais estão afetando sua qualidade de vida, a psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender essas questões e construir novas possibilidades de enfrentamento.
Referências científicas
CARNEIRO, Cíntia Maria Moraes; PINHO, Paloma de Sousa; TEIXEIRA, Jules Ramon Brito; ARAÚJO, Tânia Maria de. Trabalho doméstico não remunerado: persistência da divisão sexual e transtornos mentais. Revista de Saúde Pública, v. 57, 2023. DOI: 10.11606/s1518-8787.2023057004502. Disponível na SciELO.
SALVARO, Giovana Ilka Jacinto; MARIANO, Patrícia. Saúde mental de trabalhadoras em estudo: contribuições ao debate de gênero. Psicologia em Estudo, v. 26, 2021. DOI: 10.4025/psicolestud.v26i0.44059. Disponível na SciELO.
Quem sou eu?

Pamela Cristina Silva Madeira Ferreira
CRP:

05/77814
Atendimento:
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Sou Pamela Madeira, psicóloga clínica (CRP 05/77814), graduada em Psicologia pelo IBMR e em Pedagogia pela UERJ, pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade Cândido Mendes e pós-graduanda em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pela PUCRS.
Atuo no atendimento psicoterapêutico de adultos, oferecendo uma escuta acolhedora, ética e individualizada. Minha trajetória na Psicologia, Psicopedagogia e Educação proporciona um olhar ampliado sobre o ser humano, compreendendo a conexão entre pensamentos, emoções, comportamentos, aprendizagem e bem-estar.
Com uma abordagem fundamentada em evidências científicas, busco ajudar cada pessoa a compreender suas dificuldades, desenvolver autoconhecimento, fortalecer seus recursos emocionais e construir mudanças significativas em sua vida.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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