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FICÇÃO OU REALIDADE?

A identificação da dor

20 de ago. de 2026

Daniela Galheigo Haubrich Jungstedt

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Psicoeducação

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Quando olhamos para histórias marcantes na ficção, muitas vezes nos conectamos com personagens não apenas pelas suas vitórias, mas pelas marcas invisíveis que carregam ao longo do caminho.

 

Na saga Jogos Vorazes, a protagonista Katniss Everdeen torna-se um símbolo de resistência e coragem. No entanto, por trás da imagem de bravura, há uma jovem atravessada por perdas profundas, hipervigilância contínua e um sofrimento psicológico devastador.

 

Embora a arena dos Jogos Vorazes seja um cenário fictício e extremo, a dor psíquica vivenciada por Katniss reflete com precisão a realidade do sofrimento humano fora das telas.

  • Hipervigilância e estresse: Assim como Katniss precisa estar em alerta constante para combater ameaças externas, na vida real a ansiedade e o trauma mantêm o sistema nervoso em permanente estado de "luta ou fuga", esgotando os recursos emocionais e físicos da pessoa.
  • A dor da sobrecarga e responsabilidade: Ao assumir o lugar da irmã e carregar o peso das escolhas de um grupo, a personagem traduz o sentimento frequente de quem se sente obrigado a ser forte o tempo todo — ignorando os próprios limites e mascarando o esgotamento interno.
  • O trauma invisível: As cicatrizes mais profundas de Katniss não são as corporais, mas as cicatrizes emocionais (como pesadelos, flashbacks e o distanciamento). No cotidiano, a dor psíquica muitas vezes não deixa marcas visíveis, o que leva à invalidação ou ao silenciamento desse sofrimento.

A ficção serve como um espelho: ela nos ajuda a nomear, reconhecer e validar angústias que nem sempre conseguimos expressar em palavras.

 

Identificar-se com a dor de um personagem pode ser o primeiro passo para perceber que o seu próprio sofrimento também é real — e que ele merece atenção, cuidado e acolhimento profissional.

 

Você já sentiu que precisava "vestir a armadura" e ser forte mesmo quando tudo por dentro parecia ruir? Reconhecer a própria vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas o início do processo de cura.

 

@danielajungs.psi

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