
O Complexo de Édipo permanece sendo um problema tão debatido quanto mal compreendido. É interessante notar como o nome “Psicologia Analítica”, criado por Jung, surge originalmente como um nome abrangente para a Psicologia Individual de Adler e a Psicanálise de Freud. O presente artigo será de Psicologia Analítica até a medula, pois olharemos para o problema do complexo edipiano sob a luz dos três autores: Freud, Jung e Adler. Comecemos por Freud, que cunhou o termo “Complexo de Édipo”.
Sigmund Freud (1856 – 1939)
Freud via a origem do complexo edipiano naquilo que ele chamou de anáclise ou apoio (Anlehnung). As pulsões sexuais nasceriam apoiadas no instinto de autoconservação. Dessa forma, o nosso primeiro objeto de amor seria escolhido de forma anaclítica (por apoio); isto é, se torna a pessoa amada aquela que alimentou, cuidou e protegeu – ou seja, a mãe ou quem a substitui.
Em síntese, o desejo edipiano pela mãe não surge do nada; ele herda o investimento que nasceu da dependência e da satisfação das necessidades. Por isso Freud diz que a mãe é o “primeiro objeto de amor” e o modelo de todas as escolhas posteriores. Por fatores como a proibição do incesto, a criança é obrigada a abrir mão da mãe enquanto objeto sexual, deslocando a libido para objetos mais apropriados.
Carl Jung (1875 – 1961)
Jung não descartava a existência do Complexo de Édipo; pelo contrário, em sua famosa entrevista de 1957 (disponível no Youtube, minuto 32:50), ele diz que se trata do primeiro – e único – arquétipo que Freud descobriu. Todavia, ele difere quanto à finalidade de tal arquétipo; em famosa passagem, ele escreve que “a base do desejo “incestuoso” não é a coabitação, mas a ideia de voltar a ser criança, retornar ao abrigo dos pais, penetrar na mãe para novamente dela nascer” (Símbolos da Transformação, § 332).
Vale ressaltar que Jung coloca “incestuoso” entre aspas justamente porque considera que o fato de a criança já se ocupar com questões que para o adulto tem indubitável tonalidade sexual não significa que, para a criança, o comportamento seja sexual. Como o próprio Jung explica: “O termo incesto tem sentido preciso e designa uma coisa determinada; geralmente só pode ser usado para o adulto que seja psiquicamente incapaz de relacionar sua sexualidade com o objeto adequado” (O Desenvolvimento da Personalidade, § 144).
Alfred Adler (1870 – 1937)
Adler, no entanto, considera que o Complexo de Édipo era, de certa forma, sintoma de um complexo de inferioridade. Ele faz uma ligação entre o complexo edipiano e as crianças mimadas, argumentando que, acostumadas a dominar o ambiente familiar, onde seu desejo é ordem, elas temem que não poderão exercer o mesmo domínio sobre pessoas que não estão nos limites de sua família. Ele explica: “Because of feelings of insecurity, they have never looked beyond the few people with whom they are most familiar” (Por causa de sentimentos de insegurança, eles nunca olharam para além das pessoas que lhes são familiares). (What Life Could Mean to You, p. 56, tradução livre).
Síntese (ou quase)
A minha visão é que as três teorias não são automaticamente autoexcludentes. Uma simplificação permitiria dizer que Freud está explicando o porquê de a mãe ser tomada como objeto de desejo, enquanto Jung está falando da finalidade simbólica desse desejo (o renascimento). Adler, por sua vez, chama a atenção para como a pessoa fica presa ao complexo por não ter coragem de ir procurar um objeto mais apropriado, visto que deseja preservar sua posição privilegiada de criança mimada. Em outras palavras, Freud está falando sobre o surgimento do fenômeno, Jung está falando sobre a sua finalidade e Adler está falando sobre o mecanismo de sua manutenção.
Uma análise mais aprofundada, entretanto, revelará que essa formulação não esgota a tensão entre os autores. Não pretendo dizer que eles estavam apenas postulando teorias complementares. Freud verdadeiramente via a pulsão da criança como sexual, coisa que Jung rejeitava. Adler, por sua vez, substituía a ênfase no sexo pela ênfase no poder, deslocando assim a origem instintual do complexo edipiano. A tensão entre as teorias é real e uma síntese que pretendesse encaixar uma na outra como se fossem apenas peças de um quebra-cabeça seria uma injustiça com os autores.
Não pretendo resolver tensões entre as três teorias. Em minha prática clínica, percebo que às vezes sou adleriano, outras freudiano, outras junguiano. O caso concreto admite diversas interpretações, como o próprio Jung demonstrou em Psicologia do Inconsciente ao explicar o mesmo caso clínico pelo prisma do poder e pelo prisma da sexualidade. Adoto, portanto, a postura intelectualmente frustrante e clinicamente frutífera de que a explicação verdadeira é aquela que se aplicar ao paciente que está em minha frente.
Quem sou eu?

Jessica Alves Alberice Benedicto Carvalho
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Sou a Jessica, psicóloga com atuação na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, auxiliando no desenvolvimento de estratégias para enfrentar dificuldades e promover saúde emocional.
Atendo adolescentes e adultos que buscam apoio psicológico para lidar com questões como ansiedade, depressão, baixa autoestima, insegurança, dificuldades nos relacionamentos, conflitos familiares, estresse, sobrecarga emocional, luto e dificuldades no enfrentamento dos desafios cotidianos.
Acredito que cada pessoa possui uma história única e que a psicoterapia deve ser um espaço de acolhimento, escuta e respeito, sem julgamentos. Meu trabalho busca compreender as necessidades de cada paciente e construir, em conjunto, caminhos para desenvolver o autoconhecimento, fortalecer recursos emocionais e promover mudanças significativas.
Na TCC, o processo terapêutico é construído de forma colaborativa, com estratégias e ferramentas que ajudam a compreender padrões de pensamento, reconhecer emoções e desenvolver maneiras mais saudáveis de lidar com as situações da vida.
Buscar terapia é um passo importante para cuidar de si. Você não precisa enfrentar tudo sozinho(a). Estou aqui para acolher sua história e acompanhar você nesse processo de cuidado e desenvolvimento pessoal. 🤍
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