
Dentro do modelo cognitivo da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a hierarquia de pensamentos e crenças, organizada da superfície para o nível mais profundo, é estruturada em pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais ou nucleares. Os pensamentos automáticos são o nível mais superficial da cognição, surgem de forma espontânea, rápida e breve, muitas vezes sem que o indivíduo perceba o pensamento em si, mas sim a emoção ou comportamento resultante, sendo específicos para cada situação. As crenças intermediárias situam-se entre os pensamentos automáticos e as crenças nucleares e se manifestam por meio de atitudes, regras e suposições, frequentemente seguindo a lógica do “se…, então…”. As crenças centrais ou nucleares representam o nível mais fundamental, profundo, rígido e global da crença, constituindo compreensões duradouras sobre si mesmo, os outros e o mundo, geralmente desenvolvidas na infância e aceitas como verdades absolutas pelo sujeito, incluindo categorias de desamparo, desamor e desvalorização.
A conceituação de caso, ou conceitualização cognitiva, é considerada o coração da Terapia Cognitivo-Comportamental e sua importância é fundamental. A partir da coleta minuciosa de dados das queixas do paciente, a conceituação permite desenvolver um plano de trabalho personalizado, definindo metas e intervenções mais adequadas para cada indivíduo. Cada sujeito e cada transtorno exige uma conceituação específica, pois ela ajuda a explicar como o conjunto determinado de pensamentos e crenças do paciente se relaciona com seu sofrimento. Quando elaborada de forma colaborativa, estimula o paciente a refletir criticamente, aumenta sua motivação e facilita a compreensão de todo o processo terapêutico. A conceituação serve para sintetizar a experiência do paciente, normalizar seus problemas, tornar as dificuldades manejáveis e antecipar possíveis desafios ao longo da terapia, além de auxiliar o terapeuta a identificar os pontos fortes do paciente e ajudar no desenvolvimento de sua resiliência. Em suma, as fontes indicam que sem a conceituação o terapeuta não teria uma base sólida para orientar suas intervenções de maneira estratégica e individualizada.





