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O passado não fica para trás. Ele encontra formas de permanecer em nós.

9 de jul. de 2026

Nathalia Leite

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Psicologia

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Existe uma fantasia de que amadurecer significa deixar a infância para trás. Mas a psicanálise nos mostra outra direção: crescemos, porém não abandonamos a criança que fomos. Ela continua presente nas maneiras como amamos, nos protegemos, criamos vínculos e reagimos diante da vida. As primeiras experiências deixam marcas que seguem organizando nossa forma de existir, muitas vezes sem que percebamos.
Aquilo que chamamos de personalidade pode ser, em parte, uma resposta antiga a dores, faltas ou necessidades que um dia fizeram sentido. O problema não é termos uma história, mas permanecermos presos a ela sem saber.
A análise não apaga o passado. Ela oferece um espaço para que ele possa ser dito, elaborado e compreendido. Quando aquilo que se repetia em silêncio encontra palavras, deixa de nos conduzir da mesma forma.
Talvez amadurecer não seja esquecer quem fomos, mas construir uma nova relação com a nossa própria história. É nesse movimento que surge a possibilidade de escolher, em vez de apenas repetir.

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