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O peso de dizer sim quando queremos dizer não

Por que é tão difícil dizer não?

13 de out. de 2025

Geovanna Moreira Bastos

Tomada de decisão
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Durante o dia, somos constantemente chamados pelo outro: para cumprir uma tarefa, ajudar alguém, atender a um pedido, realizar um desejo. Isso pode acontecer quando o chefe pede algo em cima da hora, quando os amigos chamam para sair e tudo o que você quer é ficar em casa, ou quando um familiar pede ajuda financeira. São situações simples, mas muito comuns, que testam nossa capacidade de dizer “não”.

 

Mesmo convivendo com essas situações quase todos os dias, muitas pessoas têm dificuldade em recusar algo. É muito comum que acabem dizendo “sim”, mesmo querendo dizer “não”, esperando que o outro perceba, quase por mágica, que na verdade elas não querem fazer determinada coisa. Mas por que é tão difícil dizer “não”?

 

Quando fazemos algo que vai contra o nosso desejo, os nossos limites ou princípios, estamos dizendo “sim” para o outro, mas “não” para nós mesmos. Com o tempo, isso gera sofrimento psíquico, porque nos desconectamos daquilo que realmente queremos ou precisamos. Dizer “sim” o tempo todo pode parecer generosidade, mas muitas vezes é uma forma de se abandonar — e esse abandono cobra um preço emocional: ansiedade, culpa, frustração, arrependimento.

 

Essa dificuldade em dizer “não” geralmente nasce da crença de que o outro depende de mim para ser feliz, satisfeito ou completo. Se eu não fizer o que ele pede, ele vai sofrer, vai se frustrar, vai me rejeitar. Essa ideia carrega um certo sentimento de onipotência — como se eu fosse a única pessoa capaz de atender ao desejo do outro. Paradoxalmente, isso gera sofrimento, mas também uma satisfação secreta: a de se sentir indispensável.

 

Essas dinâmicas têm raízes profundas na história de cada um. Muitas vezes, pessoas que têm dificuldade em dizer “não” foram aquelas que, desde cedo, ocuparam o lugar de quem resolve os problemas dos outros, de quem é forte, confiável e responsável. São vistas como “a pessoa que dá conta de tudo” — e acabam acreditando nisso. São aquelas que o outro procura primeiro quando está em apuros, porque sabe que vão ajudar, custe o que custar.

 

Mas o que há por trás do medo de negar algo? Talvez o receio de perder esse lugar de importância. Se eu disser “não”, o outro pode procurar ajuda em outra pessoa — e, com isso, eu deixo de ser especial, deixo de ser necessário. Dizer “não” significa abrir mão da fantasia de ser onipotente, e encarar o fato de que o outro pode seguir sem mim. Esse desprendimento é difícil, e só é possível quando o sujeito encontra outras formas de se perceber e de sentir satisfação que não dependam de sempre dizer “sim”.

 

A psicoterapia é um espaço para explorar justamente isso: por que é tão difícil negar algo ao outro, o que está em jogo quando você se sente culpado por dizer “não”, e como você se enxerga nas relações que constrói. Ao falar sobre isso, novas possibilidades surgem. Entrar em psicoterapia é, em certo sentido, reescrever o texto da sua própria vida — abrindo espaço para viver de forma mais livre, autêntica e em paz consigo mesmo e com o outro.

 

 

 

 

Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116

Meu perfil no Terappia: www.terappia.com.br/psi/Geovanna-Moreira-Bastos

 

 

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