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O que é abordagem na Psicologia?

E por que ela parece importar tanto

14 de out. de 2025

Maithê Prampero

Psicologia
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Pode ser que você já tenha ouvido falar em "psicólogo comportamental" ou até mesmo em "psicanalista", mas, afinal, o que significa isso de abordagem?

Para resumir de forma muito direta, a abordagem teórica é um norte, uma bússola que guiará o terapeuta em sua compreensão de mundo, de desenvolvimento humano e de sujeito. Sem esse norte, fica difícil não fazer uma salada de pensamentos, mas a teoria não deve anteceder o acolhimento, a escuta, a sensibilidade e as outras características que fazem de um psicólogo um profissional qualificado.

Independente da escolha de abordagem, quando o paciente está ali, abrindo-se para uma psicoterapia, é necessário haver presença, escuta e um projeto.

Para o profissional, a abordagem irá lhe auxiliar a compreender um sintoma e guiará sua conduta. Além disso, será a partir destas teorias que o psicólogo irá embasar sua formação e supervisão.

Existem muitas escolas teóricas, e os cursos de graduação costumam fazer escolhas, pois uma grade de cinco anos não seria suficiente para abarcar "todas as posssibilidades". Após a pincelada da faculdade, o psicólogo poderá se engajar em uma pós-graduação voltada à sua área de interesse, afunilando e intensificando os estudos.

No caso da Psicanálise, há cursos que não exigem a graduação de Psicologia, de modo que uma pessoa formada na área de Exatas poderá ingressar e formar-se psicanalista. Esse debate é muito rico e tem muitas nuances. Há quem defenda a independência da psicanálise enquanto método de pesquisa e intervenção que nada deve à Psicologia, mas há a linha de estudiosos e profissionais que não entende a Psicanálise apartada da Psicologia.

A Psicanálise está nos cursos de Psicologia há muitos anos, e existe em diversos outros cursos da Área das Humanidades e Saúde.

Neste vídeo, o Christian Dunker aborda o tema: Faz sentido existir uma faculdade de psicanálise? | Christian Dunker | Falando nIsso.

Levanto alguns questionamentos: o que pretende e faz um psicanalista? O que a Psicologia oferece em termos de análise que não estaria disponível em outras graduações?

Considero que a Psicanálise não deve ser uma faculdade, que ao fim de determinado período, deverá entregar um certificado de psicanalista, pois não foi o postulado na raiz e base da Psicanálise. Forma-se um analista a partir do estudo teórico, a supervisão e a análise pessoal. Assim, o tripé só funciona se estiver interligado, não adianta ler as obras completas de Freud, Lacan, Klein, Winnicott e não estar em supervisão ou em análise, o mesmo valendo para os outros dois pilares.

Parece-me muito contraditório que se ofereça um "bacharel em psicanálise", principalmente ao se considerar cursos oferecidos à distância, sem inclusão de análise e muitas vezes sem estágios e supervisão. Entendo que um profissional formado em outra área, que não a Psicologia, pode sim ter aptidão para se tornar um excelente psicanalista, desde que entenda o "formar-se" como algo além de colar grau e um certificado pregado na parede.

Preocupo-me com a ampliação de portas físicas e virtuais indicando "análise aqui", mas também me sinto aflita de ver um mundo de pessoas que precisam de psicoterapia, sem conseguir acessar o tratamento de saúde mental.

De modo algum coloco-me contrária ao EAD, pois acredito ser uma possibilidade que abre e abriu muitas portas para um mundo de pessoas. Inclusive, sou eu mesma estudante de cursos de formação online.

Para além da Psicanálise em si, existem muitas abordagens que são estudadas em um curso de Psicologia. Novamente, para o profissional, trata-se de um norte para sua prática, estudos e supervisão, uma forma de construir-se psicólogo.

Para o paciente, existirão mudanças de conduta, como por exemplo, a presença de tarefas, o fato de ser uma sessão dialógica, o foco no passado ou no presente, os objetivos.

Um sintoma de "pânico" será interpretado de maneira diferente por uma psicólogo comportamental e outro de abordagem psicanalítica. Essas diversas interpretações são apenas isso: diferentes. Não se trata de algo superior ou inferior, certo ou errado.

Errado é haver negligência, irresponsabilidade, falta de encaminhamentos, relações afetivas íntimas com os pacientes, e outras tantas faltas éticas.

Há psicólogos que defendem uma Psicologia baseada em evidências, conforme as normas da ciência que funciona para a Física e a Química. Outros, entretanto, partem de um princípio filosófico que não diz de evidências enquanto critério de replicabilidade. Quem está certo?

Respondo sem titubear que está certo o profissional que se embasa, que segue estudando, que faz supervisão, que faz a própria terapia, e que segue formando-se, em um gerúndio que só termina quando acaba a prática profissional. Onde houver a certeza de excelência, que exista também a dúvida saudável. Onde houver o ponto final, que se faça vírgula.

 

Você que é uma paciente ou pretende iniciar a psicoterapia e está frente a essa questão da abordagem, lhe digo, busque um profissional qualificado, e com o qual você consiga falar. De nada adianta escolher a abordagem "mais bonita" e não conseguir falar com um profissional com o qual não se sente ouvida. Caso você julgue importante escolher pela abordagem, pesquise brevemente, mas se dê uma chance, faça algumas sessões e perceba o principal: como você está?

Outras perguntas podem lhe guiar nesse processo: o que você espera da psicoterapia? o que está buscando? você espera resolver um problema do agora e fim? tem o desejo de voltar aos primórdios da sua existência, olhando com atenção para sua infância? espera uma sessão de cinquenta minutos ou está disposto a estar em uma sessão de tempo variável? você topa fazer tarefas e organizar seus pensamentos por escrito? aceita o desafio de falar livremente, tudo que vier à cabeça?

 

Volto a dizer e finalizo desta forma: a abordagem importa muito e é a bússola do bom profissional, mas não pode ser tudo, deve ser o norte em conjunto com outras caixas valiosas: ética, respeito, empatia. Aqui não irei resumir algumas abordagens, pois sei que na tentativa de fazê-lo, estarei incorrendo em sínteses muito injustas, que irão desrespeitar séculos de conhecimento e construção. Em vez disso, irei te orientar: se interessou por uma abordagem? Pesquise o profissional nas redes, leia os posts, blog, veja o perfil no Terappia, marque uma sessão. Questione, antes de dar o parecer.

 

 

 

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