
Na psicologia analítica, Jung nos lembra que não nos apaixonamos apenas por alguém, mas por uma imagem carregada de sentido psíquico. Aquilo que nos toca profundamente no outro costuma ser um reflexo de algo que existe em nós — ainda que de forma inconsciente, adormecida ou não autorizada a se expressar.
Quando alguém diz que se apaixonou pela autenticidade do outro, talvez esteja reconhecendo, fora de si, uma qualidade que a própria alma anseia viver. O outro torna-se espelho: não apenas do que admiramos, mas do que desejamos integrar. É o mecanismo da projeção — necessário, humano e também transformador quando se torna consciente.
Nesse sentido, o encontro com o outro não é apenas amoroso, mas simbólico. Ele revela caminhos internos, convites da psique para que sejamos mais inteiros. Aquilo que escolho no outro é, muitas vezes, aquilo que em mim pede passagem, expressão e verdade. Reconhecer isso é um passo importante no processo de individuação: retirar o espelho externo e começar a viver, em si, aquilo que antes só era visto no outro.
Com carinho,
Helen Santos





