
Antes de existir o orgulho, existiu a vergonha.
Ela chega cedo, antes da gente ter nome para o que sente. Vem na forma de um mundo que não nos mostra em lugar nenhum. Não nas histórias, não nas novelas, não nas mesas de domingo, não no que se espera de uma criança.
A gente cresce procurando o próprio rosto num mundo cheio de espelhos e não nos encontramos em nenhum. E o que não tem imagem parece, por um tempo cruel, não ter direito de existir.
Até o dia em que aparece alguém. Às vezes alguém próximo, um amigo da família, uma figura na televisão. Alguém que não se esconde.
Então, é como se algo em si finalmente fizesse sentido. O que vivia guardado a sete chaves enfim encontra nome. E o que ganha representação ganha também o direito de sair da sombra e existir à luz do dia. É descobrir que existir exatamente como você é sempre foi possível.
Por isso a visibilidade LGBTQI+ não é vaidade. Mas a herança de cada pessoa que vive a própria verdade abertamente e que, mesmo sem saber, entrega uma possibilidade para alguém mais novo que ainda procura uma resposta.
Hoje, 28 de junho de 2026, Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+, nos orgulhamos da coragem de ser quem somos. Quem ama agora, do seu jeito, sem esperar que o mundo entenda. E quem ainda procura, em alguma cidade pequena, a primeira prova de que pode existir.
A vocês, a nós. Que a gente exista inteiro, com nome, com desejo, com alegria. Sem pedir licença para habitar um mundo que também é nosso.
Porque amar é direito. Existir é direito. E é, ainda, a coisa mais bonita que a gente faz com a vida que tem.
Ana Carolina Faria | Psicóloga CRP 04/84913 | @re_existirpsi





