
Desde a infância sinto um incômodo com a passagem do tempo. Queria a liberdade dos adultos sem perder a poesia da infância. Nunca deixei de ser melancólica e sigo sendo poética na forma em que escolho viver. Ainda sinto que o tempo passa rápido demais, mas hoje não me sinto mais vivendo no automático.
A literatura e a escrita sempre me ajudaram a desacelerar e hoje são parte fundamental da minha identidade
Hoje sei que este é um sofrimento comum: sentimos que nosso tempo nos é roubado, que estamos envelhecendo sem conseguir aproveitar a vida como ela merece. Sentimos que nos cobram um desempenho insustentável. Nos sentimos insatisfeitos e exaustos.
Na minha vida aprendi que desacelerar é o que preciso para sossegar essa fome por desempenho e viver com mais presença e leveza. Com mais consciência, saindo da vida automática.
Mas não é fácil. Muito se fala de desacelerar nas redes sociais. Mas como?
Para mim, é um jeito de encarar a vida:
- Dar valor aos rituais da rotina
- Viver momentos de qualidade offline
- Pegar o caminho mais trabalhoso (cozinhar ao invés de pedir comida, caminhar ao invés de ir de carro)
- Observar e contemplar a vida sempre que possível
- Contato com a natureza
- Valorizar os idosos
- Reconhecer o que sinto
- Dar espaço para a vida interna
Hoje percebo o privilégio que tenho ao trabalhar como psicóloga e poder acompanhar pessoas que, como eu, buscam viver com cada vez mais clareza, coragem e autonomia. É uma honra receber a confiança de cada paciente.




