
Tenho algo pesando no meu coração ultimamente. Tenho visto e ouvido frases que me deixam muito preocupada e inquieta: "Tenho nojo de gente de esquerda"; Pessoas de direita são fanáticas e cruéis" , "Gente de esquerda vão pro inferno" , " Pessoas de direita são loucas" - e outras frases terriveis que não tenho coragem de escrever pois me dói muito.
Isso de colocar o nome de Deus ou de religões em discursos políticos já sabemos onde deu. Temos varios exemplos de trágicos acontencimentos históricos. Quando a fé se mistura ao poder de dominar massas , algo se quebra e todo mundo perde. Não há vencedores quando o ser humano odeia, o ódio cega , o ódio nos trai e nos faz a pior versão de nós mesmos.
Vimos na Inquisição, onde pessoas foram perseguidas, julgadas e eliminadas em nome da " pureza da fé". Vimos nas Guerras de Religião , quando matavam dizendo " Deus reconhecerá os seus". Vimos no século XX, quando líderes usaram religião para legitimar regimes que consideravam certos grupos os " inimigos da ordem e da verdade " ( lhe soa familiar? sente isso bem perto?) . Em todos esses momentos o mecanismo foi o mesmo: o outro deixa de ser pessoa e vira ameaça ( sentiu de novo algo proximo demais do agora?) Deixa de ser diferente e passa e ser mau. De novo né?
Do meu ponto de vista como Psicologa Humanista Existencial o que posso concluir: (ou tentar refletir.) Vejo que esse processo não nasce na Fé - nasce no Medo. Viktor Frankl, psoquiatra e sobrevivente dos campos de concentração , dizia que o fanatismo surge quando deixamos de ouvir a própria consciência e entregamos nosso juízo a um grupo ou a uma idéia que promete eliminar a incerteza . É mais fácil viver num mundo onde só exista " nós os salvos" e " eles os perdidos" do que aprender a viver com a complexidade de cada ser humano.
Quando alguem diz " todos são iguais" , " todos são inimigos" , " todos são aberrações" , " todos vão pro inferno" , estão fazendo algo que a psicologia chama de desumanização : o outro deixa de ser um individuo , com dores, sonhos, familia e vira um rótulo. Satre lembrava que o fanatismo faz com que a religião , que deveria unir pelo bem , se transforme em justificativa para destruir o outro . A fé que deveria nos aproximar do que há de mais humano , vira escudo para não ver a humanidade do outro.
O discurso de ódio não fala do outro - fala de quem o diz. Quando voce abre a sua boca para odiar e declarar esse ódio você diz muito de si mesmo. E sobre o quê afinal? Por quê isso de novo? É uma projeção , aquilo que não se quer reconhecer em si mesmo joga-se fora no outro. Dizer que o outro é perigoso para não sentir o próprio medo. Dizer que o outro é mau para sentir-se puro . E quendo fé e poder se abraçam ( esta acontecendo agora) , essa dinâmica ganha força : a dúvida passa a ser pecado , o questionamento é traição e a compaixão vira fraqueza.
O que a fé verdadeira não pode esquecer?
Cristo não dividiu a humanidade entre os que podiam existir e os que deviam desaparecer. Não disse que uns merecem o céu e outros a morte/ inferno. Ensinou que o amor ao próximo não tem condição - não é só para quem pensa igual , vota igual, ama igual, sente desejo igual . Quando alguem usa o nome de Deus para desejar a morte/ exterminio/ inferno para quem discorda não esta defendendo uma fé Cristã , está traindo o que ela ensina. Eu lamento e sinto muito , precisamos nos preparar para combater o mal em nós e projetar um mundo melhor a cada passo. Passsos rápidos por favor!
Quem sou eu?

Maria Fernanda Novaes Teixeira
CRP:

03/36698
Atendimento:
Online
Olá, sou Maria Fernanda Novaes Teixeira, psicóloga clínica, e acredito que o processo terapêutico pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novos sentidos para aquilo que, muitas vezes, parece difícil de compreender ou elaborar sozinho.
Atuo com adolescentes e adultos, a partir da abordagem psicanalítica, buscando oferecer uma escuta atenta, ética e livre de julgamentos, respeitando a singularidade, a história e o tempo de cada pessoa.
Atualmente, sou pós-graduanda em Psicanálise Clínica, Saúde Mental e Psicologia Social Comunitária, áreas que ampliam e fortalecem meu olhar sobre o sujeito, suas relações e os diferentes contextos que atravessam sua vida.
Meu propósito é caminhar ao lado de cada paciente, construindo, por meio da escuta e da reflexão, um espaço seguro para falar sobre sentimentos, conflitos, angústias e experiências, possibilitando um olhar mais profundo sobre si e sobre sua própria história.
Seja bem-vindo(a). Será um prazer acompanhar você nessa jornada de autoconhecimento e cuidado.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 40,00
/
60 minutos
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